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Divã: a volta dos diálogos e as eternas metáforas.

Eu: Sabe, consci. Este ano andei bem distante de você e de querer de ouvir, mas há sempre um tempinho para ouvirmos nosso interior.
Ela: Sou toda ouvidos, como sempre, minha cara.

Eu: Finalmente tive a coragem de trocar aqueles remédios para pessoas com TBH e agora, com ajuda da neurologista, descobri que não passo de um caso de ansiedade crônica não tratada. Tratando, fico ótima para convivência em sociedade.
Ela: Eu disse que não se tratava de uma coisa tão grave. Mas ainda acho que os remédios não são necessários. Ora, você é tão nova.
Eu: Achar eu também acho, linda. Mas ficar sem eles eis o meu grande karma.
Ela: Já pensou em meditar? Yoga costuma ser ótima para pessoas ansiosas.
Eu: Já tentei um milhão de vezes e meia, mas sozinha não consigo meditar. Gostaria muito de fazer Yoga, mas entra numa grande questão religiosa em casa porque meus pais logo acharão que eu estou abandonando o cristianismo e me convertendo ao budismo. E você sabe, casa deles é regras deles.
Ela: Pratique uma atividade física, então! Você precisa liberar endorfina nesse "corpitcho".
Eu: Odeio academia. Odeio correr. Pilates tem que pagar e eu não trabalho.
Ela: Você arruma problema em toda solução que lhe dão! Então não reclame, por enquanto.
Eu: Não estou. Estávamos procurando alternativas para os medicamentos, lembre-se?
Ela: Lembro-me. Vamos falar dos seus animais internos. Em nossa última conversa, ainda acreditando que tinha o Transtorno Bipolar, você dizia que habitava um lobo aí dentro. E agora?
Eu: Agora eu sinto que há um pássaro raro dentro de mim. Com capacidades e qualidades inigualáveis. Lindíssimo, raríssimo e agitadissimo.
Ela: Santo Deus! Quantos superlativos!
Eu: Mas, consci. Este pássaro está preso numa gaiola fortíssima e, embora tenha boas mordomias nela, sente que morre a cada dia por não poder voar como os outros e mostrar do que é capaz.
Ela: Estou entendendo. E por acaso esse pássaro não tem medo de sair da sua zona de conforto e se dar mal? Morrer de fome? Ser atacado por predadores? Ou até mesmo não saber voar?
Eu: Ele morre de medo. Mas o que mais lhe dá medo é não tentar. E se ele não sair da gaiola nunca saberá se é capaz de voar ou não.
Ela: Entendo. Bom, creio que em breve esse passarinho poderá nos mostrar tudo o que é capaz.
Eu: Assim espero, consci. Assim espero.

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